quarta-feira, 5 de julho de 2017

Apresentação da XII Jornada da EBP Seção Santa Catarina: as pirações de cada um.

Apresentamos XII JORNADA DA SEÇÃO SANTA CATARINA DA ESCOLA BRASILEIRA DE PSICANÁLISE. Neste ano, nossa Jornada está orientada pelo tema do Congresso de Membros da Associação Mundial de Psicanálise: “As psicoses ordinárias e as outras, sob transferência”, que acontecerá em Barcelona, em 2018.

A ela demos o nome de “AS PIRAÇÕES DE CADA UM”, nome que evoca um equívoco significante possível e interessante, que faz com que os sonhos, devaneios e quereres – as aspirações – não andem sem aquilo que os causa e/ou os obstaculiza – as pirações. De fato, aspiramos a que, nesta Jornada, possamos falar fundamentalmente das pequenas loucuras do  cotidiano dos “eus”, dos “tus” e dos “elxs”, bem como de seus discretos delírios. E, além disso, falar de suas pirações sobre o corpo, dos nós e remendos que eles tecem e que aparecem na clínica psicanalítica.

Jacques-Alain Miller nos oferece pistas formidáveis para pensar os sujeitos atravessados pelas contingências do mundo contemporâneo. Além de destacar o axioma de Lacan “todo mundo é louco, quer dizer, delirante”, ele diz que “o sonho da eternidade consiste em imaginar que despertamos”. Essas frases abalam certezas na medida em que indicam que tudo o que inventamos, todas as construções e saberes humanos são, como tais, um delírio e nos colocam na condição de debilidade frente ao real. São frases perturbadoras, mas também orientadoras, pois nos servem, como ele diz, de bússola para entendermos algumas questões e nos guiarmos no último ensino de Lacan. Delas, destas afirmações contundentes, tiramos algumas lições, porque nos interessam as verdades que escutamos dos sujeitos enquanto falam de seus sintomas – verdades essas que, muitas vezes, mais se assemelham à loucura e ao delírio, muitos deles compartilhados na cultura.

Então, “as aspirações” são os nossos sonhos de eternidade. Só saímos delas quando nos pomos a delirar. Isso é o que a psicanálise tenta colher e, colhendo, possibilita verificar como cada sujeito dá seu tratamento ao real, ou seja, como a palavra produz efeitos substanciais na vida de cada um. Nossas pirações são nossas construções. Andamos em círculo e uma outra maneira de falar disso é dizer que “nada é senão um sonho”.

Aspiramos a que aceitem este convite de estar conosco nestes dias de Jornada e, além disso, aspiramos a que cada trabalho apresentado exiba suas produções sobre o tema, sem nos enganarmos de que, ao fim e ao cabo, elas não deixam de ser as pirações de cada um.

Até lá!

Eneida Medeiros Santos

Diretora Geral – EBP Seção Santa Catarina

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