quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A fantástica fábrica de chocolates

No Seminário 8, Lacan trabalha em torno das relações entre saber e amor que dão impulso ao andamento das análises na medida em que elas se orientam pela via do desejo.  Desse modo, demanda de ser ouvido constitui-se como demanda de amor que, no fundo, se mostra como uma demanda de nada – nada que perfaz aquilo que é mais próprio ao desejo, um objeto que escapa aos meandros da língua, que causa os movimentos e estertores de uma vida, ou melhor, suas aspirações e muitas pirações: é esse! Não, não é e... agora? É mais ou menos nesse ritmo que vão se abrindo as cortinas das fantasias.
Esse pequeno trecho de A fantástica fábrica de chocolate traz algo de fundamental: um analista jamais fala a mesma língua de seu paciente. Ele é sempre um estranho que age pela via do corte, não da  compreensão. Ao oferecer seus ouvidos, abre-se espaço para que uma demanda tenha lugar – pode configurar-se, então, um querer saber sobre... Ainda assim, trata-se de uma demanda que, de antemão, é demanda de ser ouvido, demanda de amor que traz, em séries de desdobramentos, os reversos das entranhas, suas pirações e aspirações, essa sopa de letras cuja gramática ou legibilidade torta um paciente encontrará... no encontro com seu analista.



Por Diego Cervelin

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